quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Soldado: da profissão de fé ao sacrifício da própria vida


Por Professor Reginaldo de Souza Silva
Aqueles que já tiveram a oportunidade de vivenciar a vida na caserna ou conhecer membros das diversas corporações saberão entender o motivo deste artigo. Com ele queremos parabenizar, agradecer e felicitá-los por esta nobre carreira e missão que exercem dia e noite. Ser soldado diziam, era uma profissão de militares que ingressavam na carreira com um simples motivo, servir à pátria (o Estado, a população). Há vínculos de pertencimento ao país, ao Estado, a cidade e à sua gente, de tamanha profundidade, que o ato de ser soldado está além da farda que os identificam no cumprimento com as obrigações decorrentes da profissão.
O Dia do Soldado é instituído em homenagem a Luís Alves de Lima e Silva, patrono do Exército brasileiro, nascido em 25 de agosto de 1803. Com pouco mais de 20 anos já era capitão e, aos 40, marechal-de-campo. Entra na História como “o pacificador” e sufoca muitas rebeliões contra o Império. Comanda as forças brasileiras na Guerra do Paraguai, vencida pela aliança Brasil-Argentina-Uruguai em janeiro de 1869, com um saldo de mais de 1 milhão de paraguaios mortos (cerca de 80% da população).
Ser soldado implica ter um conjunto de valores, um profundo sentimento de interação com a pátria, a sociedade e o nosso povo. Sua dinamicidade começa no compromisso de colocar todo seu potencial intelectual e físico inteiramente ao serviço dela, culminando com o juramento solene de defendê-la com o sacrifício da própria vida.
Acreditávamos após 1945 que o mundo estaria em paz, mas não, as guerras continuam mais refinadas, mais violentas, mais letais. Há muito, os campos de batalha, são também, as cidades, as ruas, para além das fronteiras e dos recursos naturais e seu povo.
Soldados são chamados a batalhas diárias no interior da Amazônia, do pantanal, das fronteiras, do sertão, dos pampas e, em cada rua, beco, favela, zona rural e roça, lá estão eles e elas lutando, para sobreviver e garantir a vida e segurança de todos. É uma profissão que não garante mais o retorno seguro para casa, antes, durante e após as escalas de trabalho.
Se verdadeiramente são, da Pátria Guarda e fiéis soldados, não se pode mais afirmar que  por ela são amados. Nas cores das fardas ainda rebrilha a glória e fulge as vitórias. Na luta diária muitos Soldados serão para sempre e levarão para a “inatividade” seus valores, juramentos e nos momentos de crise da nação, o compromisso de lealdade do soldado para com os destinos de sua pátria atinge a sublimação, para o bem ou para o mal de ambos. O símbolo da farda, expresso no ato de servir à pátria, o estado, a corporação, continua presente no seu espírito, como uma segunda pele a acompanhá-lo até a morte.
Foi assim em 1822 com a soldado Maria Quitéria e o corneteiro Luís Lopes (de nossa gloriosa Bahia), um o exemplo da igualdade na luta, o outro, num “engano” ou gesto de audácia, da ordem de “avançar, degolar” no enfrentamento aos portugueses e, em 1935, perderam a vida, os soldados bombeiros salvando vidas no mesmo estado.
A profissão agrega conhecimentos, saberes e vivencias, assim relata uma soldado em 2009 ao enviar uma mensagem ao general Reginaldo: “há crescimento pessoal e profissional, ampliação da visão de mundo para mais estudos, aprendizados novos e novas opções de trabalho. Aprende-se a agir e reagir, a ser pró-ativa e trabalhar em equipe, o espírito de corpo e de equipe faz com que um grupo pense e aja com a mesma linha de raciocínio a fim de atingir um objetivo e, assim, devemos agir nas “equipes” que vivemos: família, trabalho, amigos. Aprende-se o que é o espírito de solidariedade e amor ao próximo, valores fundamentais para a convivência humana”.
Há exemplos diários de soldados (graduados e com patentes) que não assistiram impassível a sua pátria, seu estado, sua cidade, seu povo ser vilipendiado, humilhado ou em risco de vida. Expressa Flávio Maurer – “Mesmo açoitado pelo tempo, carcomido pela idade, fragilizado fisicamente, mesmo sem poder expressar a sua inconformidade, ele será sempre parte do solo, dos rios, das florestas, do povo de seu país e seu coração será o primeiro e o último a chorar por ele”.
No estado do Rio de Janeiro dezenas de soldados (policiais militares) foram baleados neste ano (88 policiais, especificamente, com 40 mortes), na Bahia, chega a mais de 90 o número de soldados assassinados no período 2008/2011. Os motivos dos homicídios, tentativas de assaltos, emboscadas, mortos em serviço, no momento da folga, por envolvimento com a criminalidade ou apenas por integrar a corporação.
Sabemos que há exemplos de soldados nas várias armas (Exército, Marinha, Aeronáutica e Forças Auxiliares, policias militares e corpo de bombeiros), os “pé de poeira” como o Gen. Marsillac com seus 89 anos, confirma a premissa de que o espírito militar do soldado não fenece com o tempo.
No dia 25 de Agosto, data comemorativa do DIA DO SOLDADO, na cidade que leva o nome de Vitória da Conquista, esperamos que os valorosos SOLDADOS que dia e noite estão de prontidão e em ação possam ver reconhecidos seus esforços, seus ideais e acima de tudo o respeito de seus superiores e da população. A cidadania de todos será garantida, quando garantirmos a cidadania de cada um. Desejo a todo(a)s SOLDADOS, FELICIDADES PELA NOBRE PROFISSÃO E MISSÃO, PARABENIZANDO-OS POR ESTE DIA!!
Prof. Dr. Reginaldo de Souza Silva – Coordenador do Núcleo de Estudos da Criança e do Adolescente – NECA/UESB. necauesb@yahoo.com.br

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